Arquivo do mês: agosto 2006

O que fazer com e-mails chatos?

Maravilha! Você comprou aquele pentium quatro, hagá-dê com 80 gigarrertizes, 512 megabaites de ram, instalou banda larga e aí, embora não saiba muito bem o que isso venha a significar, crê no vendedor que lhe disse estar você apto a “navegar” na rede mundial de computadores, ler notícias fresquinhas, alguns comentaristas muito mais fresquinhos, visitar fóruns de intermináveis discussões, ver (sozinho) boazudas praticando indecências (acho linda esta palavra, in – de – cên – cia) e outras cositas mais, as quais, quando adolescente só podia ver nos “catecismos” do Zéfiro e trancado no banheiro. Isso é bom? O julgamento vai ser seu. Internet é coisa moderninha, apitudeite, com daunloudes, apiloudes, apigreides e outros apis menos votados. Nela as pessoas sentem-se comandantes de placas, portas, draivis, botões, teclas, atalhos, ratos eletrônicos e o escambau de asas. Você vai reinar absoluto, sentado numa poltrona confortável, diante de uma telinha com mais ou menos 40 centímetros, na diagonal. Pois é, esse negócio de 17 polegadas (ou 42,5 centímetros), digo, é papo furado. Então comprove: pegue uma régua, tire a medida – na diagonal – da tela do seu monitor, certamente vai ter uma surpresa. Seria então a primeira empulhação da rede? Talvez, mas existem outras… Prepare-se para decolar!

Logo vão estar na sua frente, centenas de pseudônimos. A maioria se conhece na internet através de nomes falsos (isso vale, também para o sexo de nascença). Vai ser bombardeado por perguntas idiotas como: Você está aí? Está on-laine? Ofi-laine? Posso entrar? Posso add? Com essas indagações, vão lhe visitar os amantes dos emesseenes e orcutes da vida, cuíras para lhe enviar mantras tailandeses, corações que explodem na tela e caretas que se movimentam. Será, rapidamente, amigo de 149 pessoas que lhe “adicionaram”, algumas delas você nem lembra onde ou se já viu mais gorda. Outras, nem pela fotografia vai reconhecer, pois são gatos, cachorros, santos, velhos artistas da televisão, cinema ou saidos das histórias em quadrinhos. Isto se der sorte e não topar com exibicionistas a postar fotos de suas genitálias, as quais, provavelmente, apenas servem para aquela finalidade virtual. E os e-mails de chatos ou os chatos de e-mails? Pois é, cedo ou tarde vai conhecê-los, esses são foda!

Não tem jeito, vai sempre receber aqueles e-mails com manifestos políticos. Vão tentar convencê-lo que os hezzbolah são grupos de imaculados cidadãos, que o Fidel Castro e o Hugo Chávez são uns monstros em peles de cordeiros, que o “aquecimento global” é um iminente perigo ao universo e em outros, vai encontrar verdadeiros tratados sobre uma “Nova estratégia imperialista dos EUA que nos ameaça”. Por causa da aparente seriedade, são enviados para centenas de destinatários, de uma só vez e esses, sem ao menos ler, encaminham de novo acompanhados por comentários presunçosos como: “interessante…” ou “achei importante” e, por vezes: “leitura imperdivel”. Assim, os protestos contra Israel, Bush, Blair e companhia limitada vão ficar, a cada dia, maiores nos seus arquivos. E haja tempo para conseguir livrar-se de tudo!

Também existem aqueles pretensamente engraçados, que só são piadas para o remetente (uns com fotografias ou ilustrações atachadas). Nesses, os chatos não se conformam em mandar apenas uma, são três, quatro, cinco, num português deplorável e para ficar mais chato, chegam como anexo de anexos re-enviado. São do tipo que você vai clicar duas ou três vezes num envelopinho até abrir. Não entendo o porquê: nesses, existe uma preferência em humilhar as mulheres. Um saco! Prepare-se para ver em alguns, um quadradinho com um xis vermelho no centro, e por mais que se esforce, não vai conseguir transformar aquilo em algo inteligível. Não pense em decifrá-los, melhor é apagar logo a chatice e relaxar.

Alguns chatos vão descobrir seu e-mail e mandar convites. A maioria para espetáculos no Rio e São Paulo, festivais de cachaça em Minas, de chocolate em Gramado ou degustações de vinhos e carnes na Argentina. E não pense que mandam junto a passagem.

E antigos amigos? Lhe descobrem sabe-se lá de que maneira e é, quase sempre, um porre. Você nem lembra dos nomes, são velhos colegas com recordações da juventude, das turmas que você nunca freqüentou, do futebol que nunca jogou, de filmes que nunca viu. São perigosos quando lhe encontram… Rápido pulam do papo virtual ao convite, num domingo à tarde, para curtirem umas “geladas” (que sempre estão quentes) e uma roda de “samba de verdade” (existe samba de mentira?) no Pompílio. Livre-se deles.

Para mim, considero essas, as principais malas eletrônicas. São só exemplos e nem servem, claro, a todos os internautas que se cruzam por aí nessa imensa quanto maravilhosa balbúrdia que é a internet. No entanto sei de alguns os quais, muito provavelmente, após lerem o que escrevi vão me enquadrar em alguma categoria virtual de chato.

Jaime Bibas
Arquiteto