Arquivo do mês: outubro 2006

Jogo do bicho chinês

Não curto essas coisas dos jogos de sorte, prognósticos astrológicos, nem hexagramas do I-Ching. Certa vez ganhei meia dúzia de copos para vinho num sorteio beneficente e tive que devolvê-los, porque houve um equívoco na leitura do número vencedor. O nove foi lido como o seis da minha cartela. Antes que algum leitor mais apressado conclua, digo: não sou, também, azarento. Precavido, prefiro. Não sei lidar com assuntos que não domino ou controlo precariamente, raramente gosto de arriscar.

Curioso com um e-mail que recebi, no qual um amigo dizia ser galo no horóscopo chinês, consultei na internet que bicho eu seria. Descobri, sou cão. Cachorro? Que coisa! Logo eu que tenho uma quizila antiga com eles, fiquei surpreso ao constatar que, lá, a personalidade do cão é bem parecida com meu julgamento sobre a minha pessoa. Homessa! Cachorro? Faz tempo fui mordido por um (aliás, era uma cadela), padeci com a aplicação daquelas injeções horrorosas. Se soubesse, naquela altura, que era um cão – ‘ela’ também, claro – um latido meu talvez evitasse a consumação do ato e quem sabe após, o desentendimento, até poderia rolar um clima entre nós…

Também descobri, além dos pontos convergentes da personalidade, meu dia de sorte: a sexta-feira. Caramba! É amanhã! Logo numa quinta, perto da zero hora, que estou em casa aguardando o horário de buscar minha filha num aniversário, faço essas descobertas: sou um cachorro e minha fortuna semanal começa daqui a pouco. Animado com a possibilidade, tratei de pesquisar como faturar um plus para pagar contas em atraso. Escolhi o Jogo do Bicho, ao avançar na leitura, outras curiosidades: cachorro é número 5, sexta-feira o quinto dia da semana, e mais, amanhã é dia vinte e a dezena do cachorro vai de 17 a 20. Pronto! Consultei o numerário disponível, sessenta reais na carteira que multiplicariam cinqüenta vezes com aquela dezena cravada ‘na cabeça’. E se não der? Afastei o pensamento negativo, resolvi arriscar.

Ansioso, no café da manhã, passei para D. Carmem Silvia, minha fiel secretária de tantos anos, a incumbência de fazer o tal jogo. Com cara de espanto ela perguntou:

– Onde o senhor aprendeu isso?
– Na internet Silvia, por quê? O jogo não está certo?
– Certo está, o negócio é esse palpite…

Não contei conversa, em eloqüente discurso, disse que ela entendia de jogo do bicho e eu de possibilidades matemáticas (ocultadas para não espantar a sorte). Após a catilinária, cabisbaixa, saiu para fazer o jogo.

Esperei sua ligação no início da tarde. Calculei as dívidas, tudo estava perfeito! Ainda sobraria algum para os chopinhos. Às quinze horas atendi ao telefone que tocava. Silvia foi logo dizendo:

– Deu 13, galo, na cabeça…
– Como Silvia? Esse é o bicho do Lauro (**)!

Após rápido silêncio complementou:

– Não sei quem é esse ‘seu Lauro’. Sexta-feira passada dia 13 era dia do azar, então a sorte do galo passou para esta sexta, 20. Eu bem que quis falar…

PQP! Vá entender de Jogo do Bicho assim lá na China!

Nota: (**) Lauro é aquele amigo que disse, num e-mail, ser galo no Horóscopo Chinês.

Jaime Bibas
Arquiteto

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Conta

Conta…
Pequena. E tudo. Todo. Conta…
Rosário?
Uma conta, outra conta, outra. Mais e mais.
Conta…
Todo? Parte?

Maria Stella Faciola Pessôa Guimarães
Escritora