Arquivo do mês: agosto 2008

Fantasias

O tempo passou e até agora eu não obtive respostas. A guerra do Iraque acabou, mas os soldados do bloco americano continuam morrendo. O carnaval. O futebol. A política. Todos apresentam as suas próprias regras. A terra gira em torno do sol e de si mesmo. As lentes e a tecnologia comprovam. O homem é o mesmo. O sonho é o mesmo. A mulher é a mesma. O mundo é o mesmo. As pedras são as mesmas. E o caminho é o mesmo. Alguns atalhos se fizeram necessários, pois o caminho tornou-se inviável. As pedras inviabilizaram o caminho do homem em suas eternas buscas.

Mesmo sendo a mesma. A guerra continua. Agora é no Líbano. E amanhã?

As mulheres puras continuam tomando remédios, querem continuar puras, sensatas e resolutas quanto ao mundo moderno. A solidão é cansativa e generosa. As portas continuam fechadas. As janelas ficaram abertas ao sabor do vento. A mulher pura foge do assédio sexual. A delegacia da mulher está fechada, dessa maneira ela não pode formalizar a queixa. A pureza venceu mais uma vez, e o crime cometido foi escapar de uma corrida de cem metros rasos. Os medicamentos hormonizaram o temperamento da mulher pura.

Os sonhos contradizem as fantasias, pois o mundo deixou de ser o mesmo, e nem o homem consegue ser o mesmo. As opiniões mudaram. Umas para melhor, outras nem tanto. O sono afasta a vigilância da vida e a morte pode chegar a qualquer momento.

“A morte não é o fim da existência humana, nem algo a ser temido. É preciso ter coragem para admitir que não estamos sozinhos e que vivemos cercados por espíritos.” Como diz James Van Praagh, no seu livro O Despertar da Intuição. O tema nos reconforta, pois nos leva ao conhecimento de que existem anjos da guarda, guias espirituais, mestres, inspiradores e protetores.

Ao abrirmos nosso corpo e nossa mente para absorver os novos conhecimentos, passaremos a ter obrigação de passarmos adiante os conhecimentos adquiridos, pois eles vieram através de sinais que os espíritos nos enviam. Quem garante que os sonhos e as fantasias não fazem parte do mundo preceptoral.

A função do homem aqui na terra é viver, compreendendo e respeitando os sinais que nos são enviados; interpretando e passando adiante as sensações de bem estar com as Leis da Natureza.

Mario Lucio, cronista, poeta e bibliófilo

Mistério

O homem olhava pela janela. O morto ainda estava lá. Estirado, permanecia lá. As velas continuavam apagadas. Os sapatos já tinham caminhados sem os pés do dono. O relógio da praça parou no momento exato do acidente. Eram cinco horas, o trânsito já começava a perturbar pelo movimento que antecedia o fim-de-semana prolongado. Os carros passavam com mantimentos, cadeiras de praia, ventilador, mas o presunto permanecia lá. Assim como o homem da janela. Alguém acendeu novamente a vela e tornou a cobrir o morto com um jornal que estampava na primeira página, o massacre dos índios na Amazônia, assim como o processo de desertificação da floresta para fazer novos campos para o gado que chegava. Afinal de contas, aqui era um novo eldorado.

O homem da janela permanecia estático, olhando o corpo estendido no chão. A queda livre deu um soluço no homem da janela, que, ao perceber a chegada do Médico-Legal chegara para o desembaraço do corpo e tomar as providências devidas. O êxtase aumentou no homem que olhava pela janela, proporcionando um múltiplo orgasmo, quase chegando à exaustão.

O corpo não estava mais no chão; estava no camburão.

O homem da janela não estava mais lá. Para completar o acontecido,ele se trancou na sala íntima e, com o volume de som ao nível de saturação, começou a ouvir Clair de Lune, de Claude Debussy, o que fez a vizinhança denunciar e chamar a ambulância do Hospital Psiquiátrico. E mais tarde, quem sabe, explicar porque empurrou seu namorado janela a baixo.

Mario Lucio, cronista, poeta e bibliófilo

Ao amor perfeito

Como é triste ver o vulto da mulher amada, cansada, deitada na cama com
os músculos estirados, pensando na tristeza, de se olhar constantemente no
espelho e ter a certeza que já foi muito bonita.
E hoje é essa mulher cansada, mostrando algumas rugas pelo céu aberto,
ainda com a esperança que tudo rejuveneça, nem que seja pela imagem
que ela cria no cotidiano da vida.
Como é triste ver o tempo passar sem ter a ousadia de pedir que ele não
passe. Ou se passar, que não deixe marcas indeléveis, que o próprio tempo
não possa corrigir.
… Corrigir…
… Corrigir !
Como é triste ver o rosto da mulher amada
que não quer ser amada.
Ser entregue aos últimos ou penúltimos devaneios duma noite de amor.
Como é triste ver a juventude lutando com todos os meios, para não deixar
passar as últimas ou penúltimas nuances de que já foi bela.
E continua linda, só o espelho não permite ver, tanta beleza.
Coragem Mulher!
Todos os meus sonhos ainda são contigo,
relembrando que nada na vida, foi melhor que a tua presença.
Que o teu amor!
E continuará para sempre;
enquanto o sempre for sempre.

 

Mario Lucio, cronista, poeta e bibliófilo