Arquivo do mês: setembro 2008

O que é o amor?

“DE HOJE EM DIANTE, VOCÊ VAI SENTIR UM POUCO DE SI NA POESIA”.

Amor é poesia, amor é alegria, é estar bem com a vida. Amor é ter carinho pra dar. Amor é a essência da amizade. É o perfume que transpira emoção, sem saber se é ou não presunção. Amor é compor cumplicidade. É dar compreensão e ser compreendido.

É buscar felicidade e querer ser feliz. É fazer o ser amado saber que é amado e, que o amor transcende o tempo. É entender o inexplicável como uma situação comum. É ter numa semana momentos de paz e harmonia e, na outra, processos de separação.

É acentuar o verbo. É falar. É ouvir. É ficar calado. É agradar o ser amado nem que seja com uma poesia. É estar junto, pois o amor requer aproximação. É reconhecer os erros e aplaudir os acertos. É conviver em Paz e agradecer a vida.

É ter confiança no amanhã. É falar com doçura. É criar clima fraterno, amigo e de homem/mulher. É agradar o ser amado com palavras, gestos e fazê-lo sentir-se feliz e importante.

É dar de graça o que recebeu de graça. É ser coerente com o coração patente. É sentir saudade mesmo na presença. Não é preciso ausência para sentir saudade. É entender os movimentos da criação e da evolução. É estar em harmonia do corpo com o espírito.

“AMAI OS OUTROS COMO A SI MESMO”

Mario Lucio, cronista, poeta e bibliófilo

Meditação e concentração para encontrar o amor

O amor vive no sentimento de aproximação. O pensamento vive no clima da vida. E quem vive? Já disseram um tempo atrás “Se penso, logo existo” e eu, complemento com a palavra falada: se penso e tenho coragem de falar, logo existo. Então não vale a pena, pensar, apenas pensar. Temos de falar, falar, falar. O mundo existe? Para ele existir, nós temos de viver intensamente, sem pensar no que não vale a pena pensar. Temos de amar a tudo e a todos, para isso fomos criados: para viver, amar e pensar.

Morrer, pra que pensar? Se nós sabemos que o futuro é o mesmo para todos. Uns tentam fugir, fingir que nada existe. Apenas a verdade é conclusiva. O caminho é o mesmo, as formas que são diferentes; umas sorrindo, outras dormindo, algumas com dor, outras sem dor. Mesmo que a dor seja alucinante. A consciência do medo está no desconhecido. O desconhecido é a proposição de não termos medo. “O medo de errar é a porta que nos tranca nos castelos da mediocridade: se conseguirmos vencer esse medo, estamos dando um passo importante em direção a nossa liberdade”

E o que é Liberdade? Se nós continuamos com medo de amar, de pensar, de viver e de morrer.

“Porquê o Sucessor não foi aquele que mais se aplicou em aprender seus ensinamentos, mas quem o negou no momento em que mais precisava de ajuda”. Para isso não existe o manual do bom comportamento. Do bom moço. Do bem aplicado, pois “Apenas uma pessoa que entende o amor, pode entender o significado da Oração. Porque o amor por alguém é uma prece dirigida ao coração do Universo, uma prece que Deus colocou nas mãos de cada ser humano, é o maior presente que alguém poderia receber”

NB: Os textos entre aspas são do Paulo Coelho, que os extraiu do Kalil Gibran.

Mario Lucio – Cronista, poeta e bibliófilo

Espaço aberto

Todos os papéis foram rasgados. As emoções dilaceradas. Algumas impressões modificaram por não ter mais como se defender. O computador gravou o que tinha para gravar, inclusive a última defesa.

A música já não era mais a mesma. A melodia só fazia entristecer o ambiente. A tendência era a tristeza acabar, se acontecesse alguma coisa. Aconteceu? E agora? O que restava acontecer?

O sonho! Tudo era possível, desde que a vida aceitasse as plenitudes de querer viver um grande amor. A imagem existia. O sonho existia. O pedaço que ainda sobrava da vida, sobrevivia ao encanto de saber viver. A perenidade dos laços envolventes, buscava o encontro de opiniões.

Quando o coração bate com a certeza de quem sabe o que quer, a fluidez se encaminha para as pedras caídas na madrugada fria do inverno serrano. O tempo foi sábio em suas definições. Houve a espera que o tempo mudasse, que a estrada se deixasse passar pelos caminhantes noturnos, em busca de querer saber o caminho certo, por onde todos pudessem passar.

Os encontros aconteceram no momento certo de acontecer, pois a vida é conjugada no pretérito dos acontecimentos. Tudo é um caso estudado, não se sabe por quem?

As pedras existem e estão em todo lugar. Elas serão sempre pedras, por mais que impeçam o caminho mas não impedem os sonhos e a imaginação.

O envolvimento da luz pela natureza reflete apenas o que eu quero enxergar. Reflete o amor, a paixão. Reflete a felicidade que ainda não chegou, pois ainda não houve o encontro. Os teus olhos refletem todas as buscas: no presente, no passado e no futuro. É impossível dissociar o que foi arquivado.

A esperança da vida está no caminho de querer ser feliz. As fronteiras são definidas por nós mesmos, os limites são impostos por quem não conhece, que a vida não é uma só.

Os anos dão o sentido no encontro com a evolução da vida. O tempo não esgota o prazer de viver.

O amor é o cúmplice da alegria na qualidade de vida que queremos ter. Quem não busca essa cumplicidade, nunca vai ter o que contar.

Mario Lucio, cronista, poeta e bibliófilo

Ausência da palavra empregada

Sem precisar provar nada para ninguém. Eu estava alí, sem saber o que viria depois. Até hoje eles não sabem o que tudo representava. Era apenas um sonho. Um sonho de liberdade.

Os braços foram cruzados. E na expressão errante, as lágrimas perderam o contrôle. A razão se autodefiniu como indecisa, pois os homens estavam perdidos. A emoção. As palavras contraditórias se faziam inaudíveis.

O homem estava só. E assim ele permaneceu até a próxima pergunta. A palmatória e o fio elétrico reluziam na claridade quase vermelha, naquele quarto escuro, onde se via apenas a mesa e duas cadeiras.

As perguntas eram cada vez mais ácidas, maldizentes, burras e traiçoeiras. O homem dominava o espaço. Não o espaço que se via que a terra era azul. Azul alí era a cor dos olhos do homem que me questionava:

– Por quem eu tinha torcido na Copa do Mundo de 70?
– Onde eu estava na Copa do Mundo de 70?
– Com quem eu estava nos jogos da Copa do Mundo de 70?

A penúltima pergunta me deixou desnorteado: Cante o Hino Nacional sem nenhum erro. Mesmo nervoso e apavorado eu ia respondendo todas as perguntas. Eu não podia comprometer ninguém. Até cantar. Eu cantei o Hino Nacional.

Eu estava nú. As mãos inchadas. O corpo marcado por choques elétricos, pois eu não soube responder quem era o autor do Hino Nacional e do Hino da Independência.

A minha visão estava sumindo. O sangue coagulava nas minhas pálpebras e eu não podia limpar. Além de não ter água o dia inteiro, as minhas forças se esvaiam na comoção de não lembrar mais nada. Eu só pensava no que tinha feito. Sim, eu tinha pichado o muro com lembretes para o dia seguinte, pois essa era a única maneira de nos comunicarmos.

O grito ofendido do General para o Coronel de olhos azuis, pedindo ação, respostas que não sabíamos dar.

O quarto não era quarto, era um porão com divisórias, com alguns mortos jogados num canto. E a palavra empregada era tendenciosa, mostrando rostos saudáveis, como se fossemos nós. “Os prisioneiros bem tratados pelo regime”.

A televisão era a cúmplice de quase tudo que acontecia. O sonho inconcebível marcou demais a palavra empregada.

Mario Lucio, cronista, poeta e bibliófilo

Pessoas são como perfume, já percebeu?

Olhe a pessoa que,
está do seu lado e
você vai descobrir,
olhando fundo, que,
há um perfume suave
de uma presença
amiga e um brilho em seu olhar.

Filosofia Hindu

Elas entram na vida da gente e deixam aromas de perfume. Como a
suavidade do vento ao final da tarde. Como gestos de ternura presentes em
cada clarão da manhã. “Olhe a pessoa que está a seu lado e você vai descobrir,
olhando fundo, que há um perfume suave de uma presença
amiga e um brilho em seu olhar.”

Procure exalar essa magia encantadora.

Pessoas foram esculpidas para serem ouvidas, sentidas, compreendidas,
amadas. Para tocarem nossas vidas com a mesma força em que foram
criadas, para exalarem suas próprias vidas com toda essa magia de serem perfumes.

Pessoas são perfumes como você.

Obrigado por você ter exalado na minha vida e na vida de outras pessoas
um perfume agradável de fraternidade, de ternura, de bondade, de amizade,
de reconhecimento, de compreensão, de amor, e de poder exalar todos os aromas
de coragem, de entusiasmo, de disponibilidade, de alegria, de esperança, renovando
sempre em nossa vida o aroma do AMOR, de um DEUS que ama INCONDICIONALMENTE.

Obrigado pelo perfume que você é!

Mario Lucio, cronista, poeta e bibliófilo