Arquivo do mês: outubro 2008

O tempo e o sonho!

“Queres ser feliz? Aprende primeiro a sofrer.”
Turgenev (escritor russo, 1818-1883).

 

O tempo transparece as emoções contidas no passado e repercute no presente, e quem sabe no futuro? As emoções foram muitas. Cada troca de olhar, a emoção se multiplicava na felicidade de estar vivo e querer mais. Querer o mundo! Querer ser feliz!

Os sonhos sempre estiveram presentes. Cada sonho, cada feixe de emoção. Tudo transbordava numa onda gigante de sempre esperar pelas alternativas conclusivas, que nunca aconteceram. O que era para ser um diálogo, nunca passou de um monólogo solitário. O sonho com o sonho mesmo. A
vida persistia em buscar solução. Só que não havia solução. Havia o temor do olhar desaparecer. E o sonho ficar apenas no sonho.

E o sorriso? Enigmático como a doçura do olhar. Parecia que já era conhecido aquele olhar, aquele sorriso. Talvez fosse através de sonhos ou de vidas passadas. O sonho era o maior conhecedor de tudo que acontecia ou aconteceu?

A vida não era mais vivida era sonhada!

O sonho era mais importante que a vida!

A voz suave soava como uma melodia para os ouvidos tão perto e, ao mesmo tempo tão distante, pois a distância era pragmática. Às vezes tão perto. Outras vezes tão longe. Tudo continuava como sonho. Um sonho impossível. Nada era possível. Nada era constante. Não havia nada, apenas o sonho que nunca deixou de existir. A esperança era nula, pois a própria esperança era um sonho!

O passado era curto; mas ele existia como se fosse o presente. Tudo no sonho!

A realidade nunca existiu. Mas a visão era aparente. Sensível. Sobrepondo-se a todas as fantasias. O real era a visão. A visão era real como todos os sentidos. Os sonhos eram cada vez mais sensíveis. A emoção torna tudo mais sensível! E os sonhos eram sempre emotivos e lacrimejantes.

A vida dividia-se em duas: a real e a sonhada. Apesar de o sonho ser quase real, ele não era, pois faltava a realidade. O que não tornava menos importante, pois tudo acontecia, como se fosse a mais pura e verdadeira vida.

 

Mario Lucio – poeta, cronista e bibliógrafo.

Indisfarçável e sublime amor

Todos os meus dias são adeuses.
Chateaubriand (escritor francês, 1768-1848)

O meu mundo se instalou no faz de conta.
A esperança teme não ter tempo pela espera.
A aproximação está cada vez mais próxima.
Os sentidos perderam a noção dos caminhos.
E ela não chega!
Faz tanto tempo que peço, e não sou atendido.
As dores são imensas e persistentes.
A única lágrima é em direção ao pensamento.
Que não para de trabalhar.
As carências se multiplicam pelas necessidades;
E não é preciso ir tão longe à busca da felicidade.
A mudança é inevitável!
Apesar das circunstâncias, os milagres acontecem!
O teu pensamento é o meu pensamento,
Mesmo que a dor me abata e a morte se aproxime.
É impiedoso tentar adivinhar o destino, quando o amor está em jogo.
Mesmo com a sublimidade da emoção.
Eu ainda tenho força e vontade de dizer EU TE AMO!
A força oculta quer se manter oculta, escondida, com medo de voltar.
Pois é o resumo de amar a vida.
Lutar pela vida tendo amor para dar!

 

Mario Lucio – poeta, cronista e bibliófilo

Brincadeiras de amor sentido

I

O amor sofreu nas garras da ingratidão e,
Na ingratidão fez-se amor sofrido, doído, lacrimejante.
Seco na sua maneira de ser, nada mais importava, nada mais lacrimejava.
Apenas sentia as dores do sofrimento, nem sequer houve tempo para pedir perdão.
Talvez… Nem fosse necessário. O sentimento desvairava para os olhares da paixão e,
Nela o amor deslumbrava junto à tristeza, toda a alegria de ser amor bandido.

II

Amor sem sentido, completa a fuga da realidade brincando de ser feliz.
Tudo faz de conta que já terminou, apenas para iludir as lágrimas caídas do pedido para ficar.
Tudo faz de conta que alguma coisa acontece, sem que seja dada conta que o amor está quase morrendo.

Mario Lucio – poeta, cronista e bibliófilo.

Perdão

“A Obediência é o consentimento da razão.
E a Resignação é o consentimento do coração”.

 

O verdadeiro perdão é aquele que lança um véu diáfano sobre o passado.
O esquecimento completo e absoluto das ofensas é próprio das grandes almas.

O rancor é um sinal que se deve esquecer, pois faz mal a nós mesmos. O verdadeiro perdão se reconhece pelo olhar, pelos atos e pouco menos pela palavra.

A chave para a redenção dos nossos mal-entendidos. É o perdão em todas as formas de reconhecimento, como o pedido de desculpas, feito pelo coração.

E a cura para nossas desavenças é o tempo e a paciência. O tempo revela a amplitude mais ampla, como reviver a história dos acontecimentos sem ocultar. A consciência original. E ao mesmo tempo não deixarmos o Papel Principal, pois somos nós que estamos pedindo perdão.

Também é preciso liberar padrões e apegos, de maneira que o mundo possa crescer com a nossa evolução, para que a confiança profunda e consciente possa surgir.

É necessário que cada um servisse de intermediário nas várias contenções em que foi preciso pedir o perdão, pois todos estavam “orientados” por espíritos superiores. Para que todos os envolvidos ficassem em Paz. E servir a divindade um para o outro. Sem que seja necessário, outra vez, a palavra Perdão.

A vida é o portão de entrada humana para experiências mais elevadas; ela nos proporciona a experiência que Deus nos colocou. Dessa maneira passamos a ser o instrumento de Deus. É a única maneira para se enobrecer e perdoar através do amor.
Ao dar muito mais do que se acredita ser capaz, descobre-se ter ainda muito mais para dar.

Este é o mistério da vida e do amor, pois não sabemos o nosso limite e consequentemente o amor será restabelecido, revelando a mais ampla conseqüência e o mais profundo desdobramento que o Amor existe. A Amizade existe e, todos são provenientes do Amor que Deus tem por todos nós.

Mario Lucio – poeta, cronista e bibliófilo.