Espaço aberto

Todos os papéis foram rasgados. As emoções dilaceradas. Algumas impressões modificaram por não ter mais como se defender. O computador gravou o que tinha para gravar, inclusive a última defesa. A música mudou. A melodia só fazia entristecer o ambiente. As cores da vida já não eram mais as mesmas. A tendência era a tristeza acabar, se acontecesse alguma coisa. Aconteceu! E agora? O que restava acontecer.

O sonho. Tudo era possível, desde que a vida aceitasse as suas plenitudes de querer viver um grande amor. A imagem existia. O pedaço que ainda sobrava de vida, sobrevivia ao encanto de saber viver. A perenidade dos laços envolvia, buscava, o encontro de opiniões. O certo ou o errado independem quando se tem o amor no coração.

Quando o coração bate com a certeza de quem sabe o que quer, a fluidez se encaminha para as pedras caídas na madrugada fria do inverno serrano. O tempo foi sábio em suas próprias definições. Houve a espera que o tempo mudasse, que a estrada se deixasse passar pelos caminhantes da noite, em busca de querer saber o caminho das pedras, por onde ninguém mais pudesse passar.

Os encontros aconteceram no momento certo de acontecer, pois a vida é conjugada no pretérito dos acontecimentos. Nada é por acaso. Nada é coincidência. Tudo é como se fosse caso estudado, planejado, sem poder vir a se tornar real. Tudo tem a sua razão de ser, inclusive o encontro fortuito, a busca do que não existe, para que um dia, essa mesma busca encontre a realidade dos fatos e não fuja novamente da percepção de querer aprender para evoluir nos caminhos da vida, não importando as pedras que estejam no caminho. Elas serão sempre pedras, nada mais que pedras, por mais que impeçam a passagem, mas elas serão pedras, que nós poderemos atirar adiante, sem que com isso, impeçam a passagem de mais alguém.

O envolvimento da luz pela natureza reflete o que eu quero enxergar. Reflete a paixão. Reflete o amor. Reflete a busca da felicidade. E os teus olhos, refletem todas as buscas: no estado presente, passado e futuro. É impossível dissociar o que foi arquivado.

A esperança da vida está no caminho do bosque sombreado pelas idéias de querer ser feliz, nem que seja em Bangladesh. As fronteiras são definidas por nós mesmos. Os limites são impostos por quem não conhece, que a vida não é uma só. A vida deixa de ser conduzida pela primeira pessoa do singular para ser substituída pela primeira pessoa do plural. A conjugação terá o diálogo como ponto de apoio ao que vier acontecer.

Os anos dão o sentido no encontro com a evolução da vida. O tempo não esgota o prazer de viver, nem tampouco querer viver. O amor é o cúmplice da alegria na qualidade de vida. Quem não busca essa cumplicidade, com toda certeza, não vai ter o que contar.

Mario Lucio – Cronista, poeta e bibliófilo

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6 Respostas para “Espaço aberto

  1. Pai, você é um fenômeno; um verdadeiro camaleão brincando com os estilos e com as palavras. Eu fico espantado com tantas variações. A qualidade é a mesma.
    Parabéns!
    Beijos do seu filho.
    Pablo.

  2. existem fatos, existem momentos…cada um vive o seu, e mesmo não vivendo tanto tempo assim, acho que aprendi a colecionar as experiências que a vida nos proporciona sem esquecer de que cada momento nos ensina algo novo. Ao ler o seu texto,me veio a mente alguns desses momento que a gente prefere esquecer, mas a mesma experiência que nos faz querer evitar, nos mostra quando é chegado o momento de enfrentar os medos de cabeça erguida…sábias palavras

  3. Mario Lucio, que bom acordar e poder ler esse texto, que você nos presenteou com extrema sabedoria, transmitindo com intensa facilidade e
    imenso carinho o conhecimento da vida nas reflexões que o mundo nos dá. Espero que você continue sempre presente nas indagações da vida.
    Parabéns Sonia Silva.

  4. Grande Mário Lúcio, texto sensível, que fala de esperança, de vida, de amor, de felicidade. Parabéns! Lembrei de Adélia Prado…’ Não tenho tempo, ser fez me consome’. Grde abraço!

  5. Mario Lucio, mais uma vez obrigado, pela mensagem de esperança e amor que você nos transmite. Chegamos a conclusão, eu e minha familia, que você é fenomenal. Os seus textos sempre traduzem o que queremos ler e ouvir, com a simplicidade que só você consegue inserir,
    com o seu dom de amar as palavras do nosso vocabulário.
    Abraços Silvia.

  6. Mario Lucio, o texto está maravilhoso. Nunca tinha visto um parecido, em que só o autor sabe
    dos acontecimentos serranos e das pedras isoladas ao alcance da imaginação de cada um que leia esse texto, pois eu acho que nós fazemos parta do texto com os nossos comentários, o que o torna um complexo de interatividade entre o autor e o leitor; se amanhã ele pegar o texto e somar com os nossos comentários, sai uma verdadeira Fantasia Literária.
    Abraços Mônica.

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